Uma história sem começo – parte 1

 

Por Talyta Singer

Luciano Ribeiro e Marizes Brito são também os palhaços Pintadinho e Violeta, a Cia Volta Seca e uma longa história.

Uma história que não tem um início preciso e conta também a história de três reis magos que vieram do Oriente visitar uma criança recém-nascida. Uma festa celebrada em quase todo Brasil por grupos populares que cantando, saem às ruas com seus bonecos e roupas coloridas. Do Nordeste, vem o teatro de mamulengos (fantoches), o circo folclórico e os bichinhos tradicionais (geralmente bois, burrinhos, cabritos, galinhas e o folclórico jaraguá) daquilo que se conhece como reisado. E não tinha mais jeito, a celebração religiosa virou arte. A música e os palhaços também estão aqui.

Um começo possível para a história de Luciano e Marizes é Mestre Babau. Ele ainda se chamava Carlos Gomide quando encontrou Antônio do Babau, mestre na arte popular do reisado que lhe ensinou as histórias, a confecção dos bonecos e uma tradição a ser perpetuada com o nome de seu mestre. O novo Mestre Babau fundou o Carroça de Mamulengos, um grupo mambembe que como tantos outros saiu pelo país e encontrou em Goiânia um menino Luciano, órfão de mãe, que fazia com o irmão Washington, artesanato em papel machê.

Daí pra frente, a história é tão incerta quanto a do surgimento do reisado.

Luciano, viajou com a Carroça de Mamulengos para o Rio de Janeiro e aprendeu as técnicas do circo de pano enquanto ajudava na montagem dos espetáculos e na confecção dos bonecos de mamulengo e dos bichos que acompanham as histórias, sempre encenados por pessoas que vestem as ‘fantasias’ parecidas com as dos boi-bumbá.

Mas não era só o Carroça de Mamulengos, muitos grupos já trabalham com o circo folclórico e começaram a surgir reuniões da chamada União dos Artistas do Povo. Verdadeiros encontros das famílias/grupos de artistas e de celebração da cultura popular e das tradições. Se o reisado começou em uma celebração religiosa, trabalhar para manter viva essa história através da arte, é a religião desses artistas.

* Esse texto foi extraído do projeto “Cismografia” elaborado por Talyta Singer


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Esta publicação foi escrita por Flavianny Tiemi e publicada em 04/09/2010 às 16:04. Está arquivada em Histórias. Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.

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