Por Talyta Singer
Volta Seca e Cuiabá
Depois do Carnaval, Marizes, Luciano e o Triêro voltaram de Itacaré. O trabalho de Violeta e Pintadinho já tinha nome. Uma homenagem a um menino do bando de cangaceiros de Lampião que cuidava dos cavalos durante o dia. Nas noites de lua, ele cantava cantigas de amor e puxava brincadeiras de roda. Dizem que foi ele quem compôs a música Mulher Rendeira, hoje de domínio público. O nome? Volta Seca.
A Cia Volta Seca, agora de Teatro e Circo, fez raízes em Mato Grosso. De Ribeirão Cascalheira, Marizes e Luciano vieram para Cuiabá. E aqui começou outra parte da história.
O Triêro andava pelo país com sua kombi. Os muitos encontros com a Cia Volta Seca em cortejos e apresentações, criaram 4 novos palhaços: Fornalha (Anthony Brito), Maçaroca (Diogo Machado), Catinguera (Cezinha) e Canelinha (Pedro Verano). Além de cuidar das músicas da Cia, os integrantes do Triêro se misturaram de vez a família e incorporaram nomes e figurinos de palhaço. Mais gente entrou para a família nessa época, Ana Laura. Filha de Marizes e Luciano, ela também chama Jabuticaba.
O circo mambembe agora tem casa, no CPA 4, Bairro de Cuiabá. É lá que todos se abrigam entre uma viagem e outra, ensaiam, criam novas cenas, confeccionam bichinhos, brinquedos e vivem. E com tanta gente, a Cia Volta Seca reúne todos os elementos do circo folclórico. Eles contam a histórias, com músicas, os bichinhos e mamulengos, tem cenas de palhaço, com direito a perna de pau, atirador de facas e malabares e uma boneca gigante, a Lumira.
No calor cuiabano, surgiu o espetáculo mais recente do grupo, o Circo Mambembe das Ruas do Coração de Um Palhaço. Aqui o palhaço brincate Matheus, um dos personagens folclóricos do reisado, tira dos caixões do peito todos os elementos do reisado que vão sendo ressuscitados durante a peça. Todas as cenas são intercaladas por músicas e cenas de palhaço. Se o espetáculo as vezes parece recortado, é porque ele é assim, criado para a rua, usando a improvisação como roteiro.
Luciano criou sua família e sua companhia, formou novos palhaços brincantes e ensinou a eles as técnicas artesanais que aprendeu durante a vida. E essa história, não tem fim.
* Esse texto foi extraído do projeto “Cismografia” elaborado por Talyta Singer





[...] Uma história sem começo – parte 1, parte 2, parte 3, parte 4 e parte 5 [...]