Reportagem da TV Centro América na feira do Recanto dos Pássaros:
http://rmtonline.globo.com/addons/video_player.asp?em=2&v=20308
Fotos: www.flickr.com/ciavoltaseca
Reportagem da TV Centro América na feira do Recanto dos Pássaros:
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Fotos: www.flickr.com/ciavoltaseca
Cia Volta Seca leva seus espetáculos para as feiras populares de Cuiabá
Durante o mês de julho, a Cia Volta Seca de Teatro e Circo fará 15 apresentações do espetáculo O Circo Mambembe das Ruas do Coração de um Palhaço nas feiras populares dos bairros de Cuiabá e Várzea Grande. O projeto conta com recursos da FUNARTE (Fundação Nacional das Artes) recebidos com o prêmio Carequinha de Estímulo ao Circo.
As feiras foram escolhidas pelo grupo por serem espaços de circulação e lazer importantes nos bairros. Nesses espaços itinerantes, onde a comunidade se encontra, são comercializados diversos tipos de produtos, de CD`s até alimentos. Os palhaços são artistas que brincam com o cotidiano do povo, seu jeito atrapalhado interage com a dinâmica complexa e desorganizada da feira livre.
O grupo considera importante a criação de alternativas para o consumo cultural. “Os aparelhos culturais ficam afastados de bairros como Osmar Cabral, Tijucal, e Industriário. As peças de teatro geralmente acontecem à noite, e depois de um dia de trabalho, fica difícil pegar um ônibus que demora pra voltar pra casa.” conta a produtora do espetáculo Flavianny Tiemi. O projeto foi bem recebido pelos coordenadores das feiras, já que os espetáculos devem motivar o público.
Nas apresentações, o palhaço brincante Mateus, personagem extraído dos festejos do reisado, é quem começa as cenas. Ele convida a conhecer a sua vida de palhaço, de viajante e retornar para o mundo encantado das princesas e dragões com o teatro de mamulengo. A música e a dança ficam por conta dos bichos do cerrado, o boi, o tamanduá, a burrinha, o jaraguá (animal da mitologia popular brasileira) e a boneca de pano Lumira.
Programação
Jardim Vitória – 02/07, 19h
Jardim Industriário – 03/07, 19h
Praça Santos Dumont – 04/07, 19h
Planalto – 06/07, 19h
Poção – 07/07, 19h
Tijucal Setor 1 – 08/07, 20h
Recanto dos Pássaros – 09/07, 20h
Residencial Paiaguás – 10/07, 19h
CPA 2 – 11/07, 9h
Coophema – 13/07, 19h
Bela Vista – 14/07, 19h
Osmar Cabral – 15/07, 19h
Parque Cuiabá – 16/07, 20h
Centro Várzea Grande – 17/07, 19h
Cristo Rei – 18/07, 9h
O espetáculo “O Circo Mambembe das Ruas do Coração de um Palhaço” foi contemplado pelo Prêmio Funarte Carequinha de Estímulo ao Circo 2009.
O projeto consiste apresentar o espetáculo em 15 (quinze) feiras populares dos municípios de Cuiabá e Várzea Grande em Mato Grosso. O intuito é resgatar o teatro de rua em espaços significativamente populares. É a possibilidade do acesso ao cômico, ao palhaço, às canções e brincadeiras nesse espaço semanal que os moradores encontram lazer e socializam experiências coletivas com sua comunidade.
Palhaços são artistas que brincam com o cotidiano do povo, são proveniente dessa classe, sua linguagem é simples e seu modo atrapalhado interage com a dinâmica complexa e “desorganizada” da feira livre.
A apresentações se iniciam em julho de 2010. Segue a programação:
O Projeto Cismografia foi elaborado por Talyta Singer, estudante de curso de jornalismo da UFMT. Talyta desenvolve pesquisa junto ao MID – Mídias Interativas Digitais, coordena a Agência Laboratório e assina a assessoria de imprensa da Cia. Volta Seca.
Aproveitamos os textos elaborados par o projeto e postamos aqui:
Uma história sem começo – parte 1, parte 2, parte 3, parte 4 e parte 5
E segue a definição do projeto Cismografia:
Por Talyta Singer
“No Michaelis, uma cisma é um pensamento fixo em alguma idéia ou assunto, um palpite, uma dúvida. Aquela coisa. O projeto Cismografias é uma tentativa de escrever sobre as coisas que a gente vê e quer achar um jeito de descrever. A mesma palavra, quando escrita com ‘s’, se refere a descrição científica dos terremotos, um enumerado de fatos geológicos que explicam porque a terra se mexe aqui na superfície quando o movimento está em seu subterrâneo. Dá pra dizer, que essas Cismografias aqui tem a ver com simplicidade aparente das coisas e da complexidade de histórias, realidades e maneiras que as pessoas vivem.
Assim, em sequências de posts, este projeto quer contar histórias de pessoas que vivem em Cuiabá, Mato Grosso. Terra onde o calor é uma constante, a cultura regional é quase desconhecida e a cultura urbana floresce, como em toda cidade de cheia de imigrantes, que trazem na bagagem um pouco de outras terras tão secas quanto essa.
O projeto procurou casos de vida diferentes em suas trajetórias, mas similares na diversidade de nuances e contrações. São artistas que vivem como operários, operários que vivem como artistas, nem operários, nem artistas. Cada um no malabarismo próprio do seu viver. Ou sobreviver. A cultura aqui, para além de ser a expressão artística, é o modo de vida, o costume, o porquê e a falta de explicação, a raiz, sufocada ou florescida.
O jornalismo aqui é só um meio de expressão. O mito da isenção não existe. Cada texto é perspassado por uma subjetividade explicável, sem necessidade de ser objetivo: a vida das pessoas retratadas aqui, não é. No Cismografias importa o percurso de vida, a história artística e a cultura de cada retratado. Sem roteiro e sem conclusões.
O projeto começa de-escrevendo a história do Volta Seca, uma companhia de teatro e circo com Luciano Ribeiro e Marizes Brito ou Pintadinho e Violeta, o centro da Cia Volta Seca de Teatro e Circo.”
Por Talyta Singer
Volta Seca e Cuiabá
Depois do Carnaval, Marizes, Luciano e o Triêro voltaram de Itacaré. O trabalho de Violeta e Pintadinho já tinha nome. Uma homenagem a um menino do bando de cangaceiros de Lampião que cuidava dos cavalos durante o dia. Nas noites de lua, ele cantava cantigas de amor e puxava brincadeiras de roda. Dizem que foi ele quem compôs a música Mulher Rendeira, hoje de domínio público. O nome? Volta Seca.
A Cia Volta Seca, agora de Teatro e Circo, fez raízes em Mato Grosso. De Ribeirão Cascalheira, Marizes e Luciano vieram para Cuiabá. E aqui começou outra parte da história.
O Triêro andava pelo país com sua kombi. Os muitos encontros com a Cia Volta Seca em cortejos e apresentações, criaram 4 novos palhaços: Fornalha (Anthony Brito), Maçaroca (Diogo Machado), Catinguera (Cezinha) e Canelinha (Pedro Verano). Além de cuidar das músicas da Cia, os integrantes do Triêro se misturaram de vez a família e incorporaram nomes e figurinos de palhaço. Mais gente entrou para a família nessa época, Ana Laura. Filha de Marizes e Luciano, ela também chama Jabuticaba.
O circo mambembe agora tem casa, no CPA 4, Bairro de Cuiabá. É lá que todos se abrigam entre uma viagem e outra, ensaiam, criam novas cenas, confeccionam bichinhos, brinquedos e vivem. E com tanta gente, a Cia Volta Seca reúne todos os elementos do circo folclórico. Eles contam a histórias, com músicas, os bichinhos e mamulengos, tem cenas de palhaço, com direito a perna de pau, atirador de facas e malabares e uma boneca gigante, a Lumira.
No calor cuiabano, surgiu o espetáculo mais recente do grupo, o Circo Mambembe das Ruas do Coração de Um Palhaço. Aqui o palhaço brincate Matheus, um dos personagens folclóricos do reisado, tira dos caixões do peito todos os elementos do reisado que vão sendo ressuscitados durante a peça. Todas as cenas são intercaladas por músicas e cenas de palhaço. Se o espetáculo as vezes parece recortado, é porque ele é assim, criado para a rua, usando a improvisação como roteiro.
Luciano criou sua família e sua companhia, formou novos palhaços brincantes e ensinou a eles as técnicas artesanais que aprendeu durante a vida. E essa história, não tem fim.
* Esse texto foi extraído do projeto “Cismografia” elaborado por Talyta Singer
Por Talyta Singer
De Marizes a Violeta
Pelos idos de 2004, Marizes, Luciano e Flávia moravam em Ribeirão Cascalheira. Anthony, o outro filho de Marizes, trabalhava como músico em Goiás. Lá, surgiu o Triêro, um grupo musical que só merece anteção nessa história mais tarde. O Triêro viajou para Itacaré, Bahia, para se apresentar nos bares cheios de turistas. Marizes e Luciano também foram. Venderam os móveis e produziram sacos e sacos cheios de brinquedos artesenais.
Os brinquedos artesanais, como era de se imaginar, estão para o circo e para a cultura tradicional assim como as cantigas de roda. Marizes e Luciano já confeccionavam vários deles: traca-traca, mané-gostoso, escadinha de Jacó, joão-teimoso, escalador, rói-rói, berra boi, vai-vem, juca-pedaleiro, bonecos de ventriloquia, currupius e alguns outros. Todos feitos de madeira, plástico reciclado, tecido, fitas coloridas e barbantes. Encantadores de tão simples e que fazem qualquer um voltar pra uma infãncia, até aquelas cercadas de brinquedos eletrônicos. (Vale mais um parentêses. O circo folclórico preserva muitos elementos das culturas populares, além da história do reisado, da música e da dança os grupos que fazem parte da União dos Artistas do Povo preservam as brincadeiras de criança e os alimentos da terra. Numa expressão artística vivenciada culturalmente todos os dias.)
Em Itacaré, eles faziam cortejos pelas ruas. Luciano fazendo graça do alto de suas pernas de pau, o Triêro acompanhando e Marizes.. se transformou em Violeta. Uma palhacinha com balões nas temporas que sempre tenta ensinar coisas a Pintadinho, nunca com sucesso.Marizes/Violeta aqui é também um ponto de encontro, foi através dela que Luciano encontrou o Triêro. Assunto para o final dessa história.
* Esse texto foi extraído do projeto “Cismografia” elaborado por Talyta Singer
Por Talyta Singer
Luciano mais Marizes
Era época do FICA – Festival Internacional de Cinema Ambiental – em Goiás Velho, Goiás. Marizes morava lá, já estava separada do primeiro marido, era professora e criava os dois filhos, Anthony e Flávia. O mais velho era músico e se apresentava nos bares da cidade, ela foi assistir. No bar estava Luciano. Marizes, uma mulher de família tradicional, criada no interior passou sua primeira noite fora de casa, vendo a lua com Luciano.
Esse encontro marca o início de outra andança de Luciano e uma vida nova pra Marizes. Ela já conhecia o Bokaemboka e foi se envolvendo com os trabalhos. Com a experiência de professora, contava histórias, fazia brinquedos e acompanha a trajetória do grupo. Trabalhava nos bastidores (se é que teatro de rua tem coxia) e começava a viver com Luciano.
É importante dizer que Luciano e Washington, como a maioria dos irmãos, tinham suas diferenças. Em uma dessas diferenças, Luciano deixou o grupo e foi com Marizes para o Ribeirão Cascalheira, uma cidade no interior do Mato Grosso na região do Araguaia. A família dela já morava na cidade e os planos eram formar uma família e uma companhia de circo folclórico.
* Esse texto foi extraído do projeto “Cismografia” elaborado por Talyta Singer
Por Talyta Singer
De Luciano a palhaço Pintadinho
E o Luciano estava andando no mundo com o grupo Carroça de Mamulengos, capitaneado por Mestre Babau. (Aqui, precisamos de um parênteses. Como toda história oral, essa também não tem data. Estamos falando de coisas que aconteceram há mais de 20 anos e se contam assim, com as emoções marcando o tempo).
Parou em Brasília no Circo Boneca e Riso de Mestre Zezito que estava montando uma lona em uma das periferias de Brasília para atender crianças em situação de risco. O Carroça de Mamulengos seguiu viagem sem Luciano. Ali, o palhaço Pintadinho cresceu como as bonecas gigantes de Mestre Zezito. E muitas crianças crescerem no espaço que existe desse momento até que Luciano volte a trabalhar a Goiânia e passe a fazer parte da companhia Bokaemboka, liderada por seu irmão Washington.
A maquiagem feita por Mestre Babau é a mesma até hoje no rosto de Luciano, branca e vermelha. Só o tempo tratou de fazer modificações (as rugas) que a maquiagem passou a acompanhar em traços de lápis preto.
O Luciano que tinha saído de casa menino, voltou. Agora, Pintadinho.
* Esse texto foi extraído do projeto “Cismografia” elaborado por Talyta Singer
Por Talyta Singer
Luciano Ribeiro e Marizes Brito são também os palhaços Pintadinho e Violeta, a Cia Volta Seca e uma longa história.
Uma história que não tem um início preciso e conta também a história de três reis magos que vieram do Oriente visitar uma criança recém-nascida. Uma festa celebrada em quase todo Brasil por grupos populares que cantando, saem às ruas com seus bonecos e roupas coloridas. Do Nordeste, vem o teatro de mamulengos (fantoches), o circo folclórico e os bichinhos tradicionais (geralmente bois, burrinhos, cabritos, galinhas e o folclórico jaraguá) daquilo que se conhece como reisado. E não tinha mais jeito, a celebração religiosa virou arte. A música e os palhaços também estão aqui.
Um começo possível para a história de Luciano e Marizes é Mestre Babau. Ele ainda se chamava Carlos Gomide quando encontrou Antônio do Babau, mestre na arte popular do reisado que lhe ensinou as histórias, a confecção dos bonecos e uma tradição a ser perpetuada com o nome de seu mestre. O novo Mestre Babau fundou o Carroça de Mamulengos, um grupo mambembe que como tantos outros saiu pelo país e encontrou em Goiânia um menino Luciano, órfão de mãe, que fazia com o irmão Washington, artesanato em papel machê.
Daí pra frente, a história é tão incerta quanto a do surgimento do reisado.
Luciano, viajou com a Carroça de Mamulengos para o Rio de Janeiro e aprendeu as técnicas do circo de pano enquanto ajudava na montagem dos espetáculos e na confecção dos bonecos de mamulengo e dos bichos que acompanham as histórias, sempre encenados por pessoas que vestem as ‘fantasias’ parecidas com as dos boi-bumbá.
Mas não era só o Carroça de Mamulengos, muitos grupos já trabalham com o circo folclórico e começaram a surgir reuniões da chamada União dos Artistas do Povo. Verdadeiros encontros das famílias/grupos de artistas e de celebração da cultura popular e das tradições. Se o reisado começou em uma celebração religiosa, trabalhar para manter viva essa história através da arte, é a religião desses artistas.
* Esse texto foi extraído do projeto “Cismografia” elaborado por Talyta Singer

Há uma semana a Cia Volta Seca realiza espetáculos pelas cidades do interior do estado com o espetáculo “E o palhaço, o que é?”. Amanhã, 10, a companhia chega a Sinop para mais uma apresentação. O grupo já passou por Cuiabá, Várzea Grande, Santo Antônio do Leverger, Rondonópolis, Barra do Garças e Chapada dos Guimarães com apresentações realizadas em praças e nos campi da UFMT.
O espetáculo utiliza a linguagem circense, lúdica e folclórica – herdada da tradição cênica do reisado brasileiro – apresentando, na forma de cenas, as canções, o teatro de mamulengo, os número de palhaços, os bonecos gigantes e divertidos causos.
Serviço
O quê: Espetáculo E o palhaço, o que é?
Local: UFMT / Campus Sinop
Quando: 10/11 às 10h
Entrada gratuita